O barco funerário Viking

Arqueologia, Curiosidades, Idade Antiga O barco funerário Viking
* Por Talita Lopes Cavalcante


Junto da navio estavam 4 trenós, mais de 10 cavalos, camas, alimentos e outros objetos que demonstravam a posição social do morto

Foto da escavação em Oseberg, em 1904, dirigida pelo professor Gabriel Gustafson. Nessa foto, a câmara mortuária e os trenós já haviam sido retirados. Devido o peso do túmulo, muita coisa se quebrou.

Durante a era viking, reis, rainhas e pessoas com destaque social eram muitas vezes enterradas com grandes cerimônias em barcos funerários junto a objetos de luxo.

Alguns passavam por celebrações funerárias em barcos cheios de bens mortuários que remetiam à riqueza em vida do morto. Essas diferenças de tratamento após a morte, entre outros estudos, mostram o quão estratificada era a sociedade viking.

Dentro de cada unidade territorial havia uma rígida estrutura social composta por um rei ou chefe, a aristocracia, os combatentes, o povo livre — fazendeiros, latifundiários de menor importância, comerciantes — e no estrato mais baixo vinham os escravos.

Um dos achados mais espetaculares pela conservação e que retrata como a sociedade viking era estratificada se deu ao sudeste da Noruega, em Oseberg. O navio Oseberg, datado de 834 dC, foi encontrado no fiorde de Oslo e escavado pelo arqueólogo norueguês Haakon Shetelig e pelo arqueólogo sueco Gabriel Gustafson entre os anos de 1904 e 1905.

Os entalhes mostram cabeças humanas, serpentes e o herói lendário viking Gunnar, atirado em um poço cheio de serpentes

Um dos trenós encontrados no barco. Apesar de, provavelmente, ter sido utilizado para fins comuns, o carro é altamente detalhado em seus entalhes, fazendo com que um achado desses, em tão perfeitas condições, seja extremamente raro.

Inteiramente construído em carvalho e podendo ser remado por até 30 pessoas, o achado acabou ganhando a alcunha de ser um dos mais bem preservados da época dos vikings. Isso porque a base onde o navio repousa fora coberta com argila azul, fazendo com que tanto o navio, quanto seu conteúdo se mantivessem intactos e retardassem a decomposição.

Junto do navio estavam dois esqueletos, fazendo com que os arqueólogos acreditassem que se tratava de um barco cerimonial usado nesses enterros da alta sociedade. Na época em que foi usado, Oseberg continha uma das sepulturas mais bem equipadas da era viking achadas até hoje.

Pesquisas posteriores mostraram que os esqueletos principais pertenciam a uma mulher e um homem; os demais deviam ser de escravos e criados. Durante a escavação também foram achadas uma câmara mortuária, quatro trenós muito bem detalhados e mais de 10 cavalos, demonstrando a posição social elevada das pessoas que ali foram enterradas — a mulher provavelmente devia ser uma rainha.

Fotos: Escavação em Oseberg. Museu Nacional de Antiguidades, Olso, 1904.
Referências:
– CAMPBELL, J. Graham. Os Vikings — Grandes Civilizações do Passado. Andromeda Oxford Limited. 2006.
– Die Wikinger – Krieger mit Kultur: Das Leben der Nordmänner. Spiegel-Verlag Rudolf Augstein GmbH & Co. KG, Hamburg 2010, p.61