As cidades submersas do Brasil

Brasil, Século XX As cidades submersas do Brasil
* Por Talita Lopes Cavalcante


As cidades submersas do Brasil

As cidades submersas do Brasil

“Adeus Remanso, Casa Nova, Sento-Sé
Adeus Pilão Arcado vem o rio te engolir
Debaixo d’água lá se vai a vida inteira
Por cima da cachoeira o gaiola vai subir
Vai ter barragem no salto do Sobradinho
E o povo vai-se embora com medo de se afogar.

Remanso, Casa Nova, Sento-Sé
Pilão Arcado, Sobradinho
Adeus, Adeus …”

Apesar de eternizada nessa canção popular, a história das 5 cidades que sumiram sob as águas do São Francisco é pouco conhecida nacionalmente.

Remanso, Casa Nova, Sento-Sé, Pilão Arcado e Sobradinho eram cidades ribeirinhas, com terras férteis e pastagens na Bahia, quando, nos anos 1970, durante a Ditadura Militar, foram evacuadas para dar espaço à ideia de progresso do Regime. Através da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (CHESF), o governo militar tentou negociar com a população dos municípios para que deixassem o local que seria inundado após a construção da barragem de Sobradinho, que deu origem ao maior lago artificial brasileiro.

Contudo, parte das famílias não queria abandonar suas terras em direção a quilômetros de distância do vale fértil em que viviam para regiões áridas. Os sindicatos, nessa época, não se pronunciaram a respeito do abuso de autoridade que vinha ocorrendo durante as negociações entre governo e população.

O único apoio do povo veio da união de padres e bispos da região. Apesar dos esforços advindos dessa união, a CHESF era bem clara em seus termos; ou aceitavam os valores irrisórios oferecidos, ou poderiam entrar na Justiça, que na época era controlada pelo mesmo governo que tentava retirar as famílias do local.

Ao final, todos foram obrigados a deixar a região, senão seriam engolidos pelas águas do São Francisco junto com as cidades. Anos após o fim da Ditadura, muitos pedidos de indenizações pelas perdas sofridas, tanto sociais quanto ambientais, ainda permaneciam parados aguardando na Justiça.

Na imagem estão as ruínas de Sento-Sé que, em períodos de seca, reaparecem para contar essa velha história já quase esquecida.

Foto: Agência Brasil

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