Concentração de renda: os dois extremos do Brasil

Atualidades, Brasil Concentração de renda: os dois extremos do Brasil
* Por Talita Lopes Cavalcante


Imagem ficou famosa por demonstrar a desigualdade social e concentração de renda, 2003. Foto: Tuca Vieira

É notável a representação da concentração de renda e desigualdade social mostrada na foto tirada em 2003 em que um condomínio de luxo no bairro Morumbi, em São Paulo, aparece contrastando com a comunidade Paraisópolis. A imagem ficou famosa por demonstrar a desigualdade social e concentração de renda, 2003. Imagem: Tuca Vieira

Concentração de renda e desigualdade social

Na época em que Tuca Vieira registrou a foto, a imagem foi contestada por muitos que alegavam ser uma montagem. Contudo, infelizmente ela é real e demonstra um problema de concentração de renda ainda atual. Naquele ano (2003), segundo dados divulgados pelo Ipeadata, o estado de São Paulo aparecia com um Coeficiente de Gini — que mede o grau de desigualdade na distribuição da renda domiciliar per capita entre os indivíduos — de 0,546. O valor do índice pode variar de zero, quando não há desigualdade, até 1, quando a desigualdade é máxima.

Além do coeficiente, São Paulo ainda era marcada por 8.113.404 de pessoas declaradas pobres, em um total de 41 milhões de habitantes no estado. A situação é mais facilmente observável quando é calculada a porcentagem da população mais pobre com renda igual a 1% da centésima pessoa mais rica. Ou seja, 17,88% dos 41.252.160 de indivíduos no estado é a porcentagem das pessoas mais pobres que recebem apenas 1% da renda de uma única pessoa, a centésima mais rica. Dessa forma, a foto mostra a realidade de uma das unidades da federação, em termos financeiros, talvez a mais rica. Entretanto, mais do que um problema isolado, o registro alerta para um problema social e estrutural que advém desde os primórdios do país e que, infelizmente, ainda é uma realidade nacional.

Referência:
Foto: Tuca Vieira.
Ipeadata