Birmingham: a luta pelos direitos civis dos negros

Política, Século XX Birmingham: a luta pelos direitos civis dos negros
* Por Talita Lopes Cavalcante


Após perceberem que as prisões já estavam lotadas de manifestantes, a polícia decidiu agir com mais violência e ordenou que deixassem cães da polícia atacar manifestantes.

Bombeiros direcionam jato d’água de pressão contra manifestantes que participavam das marchas contra a segregação racial e pela luta dos direitos civis negros em Birmingham, 1963. Foto: Charles Moore / Black Star

Em 1963, as ruas de Birmingham foram ocupadas por diversas marchas que lutavam pelos direitos civis dos negros. Lideradas pelo ativista Martin Luther King Jr., apesar de não utilizarem a violência, as passeatas e manifestações foram duramente reprimidos pela polícia local. Eram comuns cenas de estudantes sendo levados presos, atacados por cães policiais ou rolavam pela rua devido à força dos jatos d’água utilizados pela polícia para dispersar o movimento.

Birmingham era uma das cidades em que a divisão racial era claramente presente, tanto socialmente, quanto legalmente. Desta forma, os cidadãos negros enfrentavam todos os tipos de dificuldades que eram impostas pelo preconceito racial, ficando a mercê de salários menores, desamparo jurídico e de uma violência institucional maior por parte do próprio Estado.

Nesse sentido, as marchas de Birmingham foram um movimento organizado e liderado por Martin Luther King Jr. para chamar a atenção dos Estados Unidos enquanto país, para os esforços pelos direitos civis negros no início da década de 1960.

Através do uso da não violência, os protestos começaram com uma pressão maior pela abertura de mais empregos aos negros, visando à diminuição das disparidades sociais. Além disso, o movimento também buscava acabar com a segregação em locais públicos, como restaurantes, lojas, escolas e transporte público.

Após a primeira derrota frente ao empresariado que se mostrou intolerante a respeito da abertura de mais empregos aos negros, as passeatas começaram a ser organizadas. Essas chamaram não só voluntários adultos, bem como integraram adolescentes e crianças, levando ao aumento do número de manifestantes. O resultado disso foi uma resposta violenta da polícia de Birmingham e o aumento exponencial das detenções.

Essa foi uma cena comum naquele ano de 1963.

Cão policial ataca um membro da comunidade negra enquanto ocorrem as marchas pelos direitos civis negros em Birmingham, Alabama, 1963. Foto: Charles Moore / Black Star

Após as prisões ficarem lotadas, inclusive com estudantes universitários, a atuação da polícia mudou radicalmente para atitudes e práticas cada vez mais violentas; algumas envolviam ataques de pastores alemães da polícia aos manifestantes, já em outras ocasiões, como é mostrado na foto inicial, as autoridades utilizaram jatos d’águas de alta pressão contra qualquer um que estivesse participando das marchas, inclusive contra crianças e idosos.

Pessoas eram arrastadas pelas ruas, em frente aos carros, pelos jatos d'água empregados pelo bombeiros contra os manifestantes.

Manifestantes buscam proteção contra o ataque de bombeiros de Birmingham, Alabama, 1963. Foto: Charles Moore / Black Star

Apesar de toda a violência sofrida pelos manifestantes, as marchas ganharam destaque e levaram o debate a respeito da segregação racial a nível nacional. Esse novo destaque conferido pela mídia impactou positivamente a luta pelos direitos civis, Martin Luther King Jr. ganhou mais notoriedade e naquele mesmo ano, no verão de 1963, a Marcha de Washington ocorreu. Todos esses esforços culminaram, em 1964, na Lei dos Direitos Civis que proibiu qualquer prática de discriminação racial nos serviços públicos do país.

Referências:
Birmingham Public Library
Birmingham Civil Rights Institute
– KLIBANOFF, Hank. “What the Still Photo Still Does Best“. The New York Times, 2010.