A época em que o rio Tietê ainda era limpo

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* Por Talita Lopes Cavalcante


A poluição do rio Tietê ganhou força após a década de 1940, quando houve uma aceleração do processo de industrialização do país.

Foto da chegada da primeira travessia a nado do Rio Tietê, 1924. Foto do Acervo do Clube Esperia.

Com suas nascentes se encontrando na região de Salesópolis, na Serra do Mar, o rio Tietê teve papel destacado no começo da colonização como via de comunicação e também como um acesso natural ao interior do continente. Muito utilizado por aventureiros em busca de pedras preciosas, mais tarde também ficaria conhecido como “caminho das monções” — expedições fluviais realizadas nos séculos XVIII e XIX entre São Paulo e o que hoje seria o estado do Mato Grosso.

Atualmente o rio Tietê, situado no estado de São Paulo, é conhecido pelos seus problemas ambientais, especialmente no trecho que cruza a capital paulista. Entretanto, a poluição do rio é recente, pois durante as décadas de 1920 e 1930 ainda foi utilizado para pesca e atividades desportivas, como as famosas disputas de esportes náuticos e travessias.

Nesta época, clubes de regatas e natação foram criados, como o Clube de Regatas Tietê e o Clube Esperia, dono do registro fotográfico em questão. O processo de degradação do rio por poluição industrial e pelos esgotos domésticos no trecho da Grande São Paulo tem origem principalmente no processo de industrialização e de expansão urbana desordenada ocorrida entre as décadas de 1940 a 1970.

A foto nostálgica de 1924 da chegada da primeira travessia a nado traz a memória de um período em que a cidade de São Paulo ainda era pouco urbanizada e o Tietê ainda era limpo o suficiente para esse tipo de prática.

Referência:
– KOSSOY, Boris. Um olhar sobre o Brasil: A fotografia na construção da imagem da nação (1833 – 2003). 1° edição. São Paulo: Fundación Mapfre e Editora Objetiva, 2012. p. 180.