Gilles de Laval: O homem do saco

Criminosos, Curiosidades, Idade Moderna, Personalidades Gilles de Laval: O homem do saco
* Por Talita Lopes Cavalcante


Gilles de Rais é conhecido como um dos precursores da ideia de assassino em série moderno.

“Gilles de Laval, senhor de Rais, realiza feitiçaria em suas vítimas”. Ilustração de Jean Antoine Valentin Foulquier, “Gilles de Laval Lord of Rais performs sorcery on his victims”, First Gallery, 1862.

Entre os anos de 1400 e 1440, Gilles de Laval — senhor de Rais — não dera sinais de sua natureza sádica, a mesma que um dia assombraria e faria parte do imaginário europeu em uma das maiores lendas já criadas: o homem do saco.

A história de Gilles de Laval é controversa, tornando difícil o real conhecimento dos fatos e profundo conhecimento do próprio personagem histórico. Segundo uma das versões, naqueles anos ainda insuspeitos, o senhor de Rais era conhecido como um nobre de natureza piedosa, um devoto religioso e por sua grande caridade para com os pobres. Após a perda de sua amiga e companheira de batalha, Joana D’Arc, o nobre gastou sua fortuna, ficando quase sem recursos.

Decidido em resolver seus problemas financeiros através da bruxaria e magia negra, o nobre consultou uma mulher que se dizia feiticeira. Para recuperar os bens perdidos, a mulher aconselhou Gilles a sacrificar crianças em nome de um demônio chamado Barron. Em 1440, então, os sintomas de depravação de Laval começaram a ficar cada vez mais em evidência, visto que crianças iam até seu castelo Tiffauges, próximo a Nantes, para pedir esmola e jamais voltavam para casa.

Outras histórias macabras de orgias sexuais, torturas, sodomia, ocultismo e magia negra no castelo Tiffauges também começaram a ser espalhadas pela Europa. Devido a esses e outros rumores, o Bispo de Nantes, Jean de Malestroit, decidiu investigar as ações de Gilles de Rais. Ao descobrir fatos horripilantes sobre as práticas sádicas que aconteciam no castelo, em setembro de 1440 Jean de Malestroit denunciou o nobre. Quarenta corpos foram supostamente descobertos em uma de suas residências em Machecoul.

Em seu julgamento, Gilles confessou suas atrocidades, entre as quais estava a prática do satanismo, heresia, sodomia, abjuração, sacrilégio, sequestro, tortura e, por fim, assassinato e mutilação de mais de 200 crianças. Certas partes de sua confissão se mostraram tão macabras que foram removidas dos registros do processo; contudo, muitas ficaram documentadas para a História. Finalmente em outubro de 1440, Gilles de Laval é enforcado e seu corpo queimado.

Apesar de a história ter sido produzida ao longo dos anos e a partir de inúmeras lendas e costumes da época, o homem do saco é costumeiramente relacionado a Gilles de Laval. Seus crimes foram tão chocantes que ele acabou se tornando, à época, símbolo universal do mal e logo virou lenda, sendo invocado como “o homem do saco” para assustar crianças desobedientes que queriam ficar nas ruas.

Outras histórias também foram baseadas em seus crimes, por exemplo, “O Barba Azul” de Charles Perrault em “Histórias ou Contos de Tempos Passados” (1697). “O Barba Azul” era um rico nobre que matou sete de suas esposas, pendurando seus corpos pelas paredes de um cômodo do castelo. Até hoje Gilles de Laval, o senhor de Rais, é destaque entre os assassinos em série mais macabros e violentos, sendo considerado um dos responsáveis pela ideia moderna dos assassinos em séries, segundo historiadores.

Referência:
– LEWIS, Brenda Ralph. A História Secreta dos Reis e Rainhas da Europa. Editora Europa: 2008. p.22-23.
– “Gilles de Rais: The Pious Monster“. The Crime Library.