Hiroo Onoda, o oficial japonês que ficou 29 anos escondido na selva

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* Por Italo Magno


Hiroo Onoda

Em março de 1974, quase 29 anos depois do fim oficial da Segunda Guerra Mundial, Hiroo Onoda, oficial da inteligência do Exército Imperial Japonês, emerge da selva da ilha de Lubang, nas Filipinas, onde finalmente depõe suas armas e é isentado do dever. (Foto: Associated Press).

O oficial Hiroo Onoda havia sido enviado para a ilha Lubang em dezembro de 1944, onde se juntou a um grupo de soldados japoneses que tinham a missão de resistir à qualquer custo aos ataques inimigos.

O começo da insurgência Hiroo Onoda

Em 28 de fevereiro de 1945, tropas americanas atacaram e, após uma batalha de quatro dias, todos os combatentes japoneses, com exceção de Onoda e outros três soldados, que correram para as montanhas, foram mortos ou capturados. A partir daí, décadas de insurgência foram iniciadas, mesmo após a guerra. Vários avisos deixados por nativos da ilha e panfletos foram atirados de aviões militares anunciando o fim da Segunda Guerra Mundial, mas os soldados japoneses se recusaram a acreditar. Em setembro de 1949, Akatsu, um dos soldados, se entregou às autoridades filipinas e pouco tempo depois, deixou um recado para seus três compatriotas que ficaram na selva, avisando que de fato a guerra havia terminado e que ele não havia sofrido nenhuma retaliação, contudo, Onoda e seus companheiros deduziram que se tratava de uma traição de seu antigo companheiro e uma tática do inimigo para capturá-los.

Em 1954, Shimada, soldado japonês que havia partido para a guerra deixando sua jovem esposa com uma filha recém-nascida, foi morto. Em 19 de outubro de 1972, o último companheiro, Kozuka, também tombou após um ataque. Onoda estava sozinho na selva. Já em 1974, Norio Suzuki, um estudante japonês, foi até a ilha de Lubang, onde encontrou o oficial japonês e o advertiu sobre o fim da Guerra. O oficial japonês ainda assim, se recusou a acreditar. Suzuki retornou ao Japão e relatou a situação ao governo, que localizou o ex-comandante de Onoda, o major Yoshimi Taniguchi, que havia se tornado um livreiro após a guerra.

A rendição

Taniguchi foi até Lubang, onde se encontrou pessoalmente com Hiroo Onoda e formalmente comunicou o fim da guerra ao ex-oficial, emitindo a ordem de depor armas. Ao longo dos quase 29 anos de guerrilha, o pequeno grupo havia matado cerca de 30 filipinos em vários ataques, mas Onoda ficou livre ao se entregar as autoridades, vez que recebeu o perdão do presidente filipino Ferdinand Marcos.

Hiroo Onoda se rende ao presidente das Filipinas

Hiroo Onoda se rende ao presidente filipino em 1974. Em sua rendição, entregou sua espada, cerca de 500 cartuchos de munição e várias granadas de mão.

Em seu regresso à pátria, Onoda foi recebido por cerca de 4000 compatriotas no aeroporto e se tornou uma figura de muita popularidade no Japão. Lançou uma autobiografia intitulada No Surrender: My Thirty-Year War (“Os Trinta Anos de Minha Guerra”, título no Brasil).

Vida pós-guerrilha

Em abril de 1975, se mudou para o Brasil, onde exerceu atividade de fazendeiro na Colônia Jamic, comunidade japonesa de Terenos, no Mato Grosso do Sul, juntamente com seu irmão mais velho, Tadao. Casou-se em 1976 e assumiu um papel de liderança na colônia. Em 1984, Onoda retornou ao Japão, onde estabeleceu o Onoda Shizen Juku, um acampamento educacional para jovens que é realizado em vários locais no Japão.

Onoda foi condecorado com a medalha de Mérito Santos-Dumont pela Força Aérea Brasileira em 6 de dezembro de 2004. Em 21 de fevereiro de 2010, a Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul lhe concedeu o título de “Cidadão do Mato Grosso do Sul”. Hiroo Onoda visitava o Brasil regularmente até falecer aos 91 anos em Tóquio no dia 17 de janeiro de 2014.