A história do Papai Noel

Curiosidades, Idade Média, Idade Moderna, Personalidades, Século XIX, Século XX A história do Papai Noel
* Por Talita Lopes Cavalcante


Ilustração de Haddon Sundblom para a campanha publicitária de 1930 da Coca Cola.

Também conhecido como Nikolaus, Papá Noel, Santa Claus, Pai Natal e aqui, no Brasil, como “Papai Noel”, a história do Papai Noel pode ter sido baseada, de acordo com alguns historiadores e folcloristas, no arcebispo turco São Nicolau Taumaturgo da cidade de Mira — província bizantina da Anatólia, na Turquia.

São Nicolau viveu no século IV e conta a história que o religioso ajudava pessoas pobres colocando moedas de ouro nas chaminés de suas casas. Posteriormente santificaram Nicolau Taumaturgo em decorrência de alguns milagres terem sido atribuídos a ele. Acredita-se que paralelamente à cristianização da Europa, principalmente dos germanos, São Nicolau pode também ter absorvido elementos da mitologia nórdica, como a longa barba branca de Odin, líder do panteão Viking.

Pintura do deus Odin por Georg von Rosen

A obra de arte “Oden som vandringsman” pelo pintor sueco Georg von Rosen.

Em um poema de 1822, chamado “Uma visita de São Nicolau”, Clemente Clark Moore — professor de literatura grega de Nova Iorque — ajudou a consolidar a lenda do velhinho que visitava as casas entregando presentes na noite de Natal. O poema também abordava a versão do Papai Noel que seria popularizada e permaneceria na atualidade do mundo Ocidental: as viagens pelo mundo através de um trenó puxado por 9 renas e as entradas pelas chaminés.

Moore incorporou várias tradições e culturas em seu poema. Uma delas vinha da Finlândia, em que São Nicolau descia a chaminé para entregar presentes. A explicação, segundo historiadores, estava no fato de que os antigos lapões viviam em tendas cuja entrada se dava por um buraco no “telhado”.

Originalmente a figura do bom velhinho era retratada com os trajes do arcebispo São Nicolau Taumaturgo. Posteriormente, no decorrer do século XIX, a imagem de São Nicolau passou a ser apresentada com seus trajes originais: a mitra episcopal.

Ele também era representado — na Alemanha, em especial — utilizando roupas verdes e em algumas ocasiões os trajes canônicos. É proveniente também do país germânico a lenda de que enquanto Nicolau presenteava as crianças que tiveram bom comportamento durante o ano, o demônio Krampus, uma espécie de “anti-Noel”, o acompanhava punindo aqueles que se comportaram mal.

Porém, somente no final do século XIX que Papai Noel ganharia a imagem que tem hoje: alegre, muitas vezes utilizando óculos, carregando uma sacola imensa de presentes, rechonchudo, bochechas bem vermelhas, barba e cabelos brancos, casaco vermelho, bota preta, etc..

No ano de 1886, em uma edição especial de Natal da revista “Harper’s Weeklys”, o cartunista alemão Thomas Nast daria nova roupagem à lenda, agora baseada no Sinterklaas — o Papai Noel do folclore holandês — que utilizava uma longa capa vermelha.

Papai Noel por Thomas Nast

Ilustração mais famosa de Thomas Nast, “Merry Old Santa Claus”, 1881.

Essa nova apresentação seria eternizada e difundida pela Coca Cola em 1930, quando Haddon Sundblom realizou uma grande campanha publicitária com o Papai Noel vestindo trajes vermelhos, convenientemente a cor do rótulo da Coca Cola. Foi um excelente golpe de marketing, pois a empresa perdia vendas durante o inverno e o novo Papai Noel, agora mais popular e alegre, fez um sucesso estrondoso em todo o mundo.

Papai Noel da Coca Cola por Haddon Sundblom

Ilustração de Haddon Sundblom para a campanha publicitária de 1930 da Coca Cola.

Voluntário do Exército da Salvação

Voluntário do Exército da Salvação pedindo donativos às famílias carentes em 1902. Foto: Chicago Daily News / Library of Congress. ID: DN-0001069, Chicago Daily News negatives collection / Chicago Historical Society.

Por fim, a imagem de personagem benevolente foi criada com sua associação à filantropia e à caridade, principalmente quando voluntários do Exército da Salvação se vestiram de Noel na angariação de fundos em ajuda às famílias carentes no início do século XX.

Referências:
– RESTAD, Penne L. “Christmas in America: A history”. Oxford University Press, 1995.
– B. K. Swartz, Jr. “The Origin of American Christmas Myth and Customs”. Ball State University.
– “Nast, Thomas: “Merry Old Santa Claus”. Encyclopedia Britannica, 2013.