7 imperadores romanos malucos

Curiosidades, Idade Antiga, Imagens Históricas, Personalidades 7 imperadores romanos malucos
* Por Eudes Bezerra



Autocastração em público, nomeação de cavalo a cargo público, assassinato de parentes e lançamento de cristãos a feras famintas. Alguns imperadores se achavam deuses ou semideuses; outros tinham certeza disso, vestindo-se e agindo como tais. Um lutava nas arenas como gladiador e outro gastava seu tempo editando leis excêntricas, como a liberação de flatulências (pum) em banquetes. Muitos imperadores cometeram atos cruéis, todos fizeram baixaria, alguns obtiveram glória, outros a completa desgraça. Todos foram assassinados.

Muito do comumente noticiado acerca dos imperadores, contudo, carece de comprovação, visto que não se pode dar certeza quanto à origem de fontes que, por vezes, encontra-se repleta de rivalidade por se tratar de adversários dos césares romanos. Ainda, em outras ocasiões, historiadores da Antiguidade acabavam por desmerecer alguns governantes ao compará-los com outros de elevada grandeza.

Como acontece aqui, no Brasil, Roma também tinha seus barracos e vexames, sendo, porém, inúmeras vezes mortais. A hostilidade entre o Senado e os imperadores romanos é amplamente reconhecida, tendo, inclusive, inúmeros assassinatos de ambos os lados.

1. CALÍGULA, O “PERVERTIDO” (12–41 D.C.)

O imperador Calígula — Caio Júlio César Augusto Germânico — é, sem dúvida, um dos mais notórios imperadores que estiveram à frente de Roma. Contudo, sua fama, assim como teria sido sua vida, é muitas vezes retratada como uma grande algazarra. Calígula é acusado de promover grandes orgias depravadas (até para os padrões romanos), cometer incesto com suas irmãs e patrocinar jogos sangrentos de modo sádico. Até seus amigos mais íntimos o temiam, não raramente sofrendo punições por atos inexistentes.

Busto de Caio Calígula, Museu do Louvre, Paris, França.

Busto de Caio Calígula, Museu do Louvre, Paris, França.

Uma das maiores loucuras atribuídas ao imperador Calígula, senão a maior, diz respeito à nomeação de seu cavalo, Incitatus, ao disputadíssimo cargo de cônsul romano. Entre as funções do valorizado cargo, destaca-se o comando das famosas legiões romanas. Tal função representava uma excelente chance de ascender ao prestígio diante de toda Roma.

Calígula era o filho caçula do competente, respeitado e bondoso comandante militar Júlio Germânico, mas criou uma fama totalmente oposta a do pai. Comparava-se a deuses e semideuses e sua morte teria sido similar a do mais proeminente romano, César (Júlio César), quando vitimado por meio de uma conspiração de nobres em 24 de janeiro de 41.

2. CLÁUDIO, O “PARANOICO” (10 A.C.–54 D.C.)

O imperador Cláudio — Tibério Cláudio César Augusto Germânico — ascendeu ao poder imperial após a morte de Calígula. Cláudio, diferentemente de seu sobrinho, Calígula, angariou imensa fama por todo o império sendo reconhecido nas mais diferentes áreas do saber, além de ser um dos melhores imperadores guerreiros a comandar o Império Romano.

O imperador Cláudio, Museu Arqueológico Nacional de Nápoles.

O imperador Cláudio, Museu Arqueológico Nacional de Nápoles.

Contudo, Cláudio também possuía suas paranoias e numa delas condenou à morte aproximadamente 300 homens suspeitos de serem amantes de sua esposa, que também acabou assassinada. Cláudio achava que ela o traía promovendo grandes orgias. Ainda, Cláudio teria o hábito de assistir sessões de torturas em que os torturados eram levados à morte. Por fim, diz-se também que foi um influente incentivador de ideias no mínimo toscas, como a liberação de flatulências (peidos) durante os tradicionais banquetes romanos.

Cláudio teria morrido envenenado em 13 de outubro de 54. Seu assassinato é repleto de dúvidas quanto às circunstâncias e se atribui costumeiramente a autoria à Agripina, mãe do mais ilustre imperador romano tido como louco, Nero.

3. NERO, O “INCENDIÁRIO” (37–68 D.C.)

Certamente o mais famoso imperador maluco da história do Império Romano, Nero — Nero Cláudio César Augusto Germânico — também é um dos mais emblemáticos e contraditórios chefes já dispostos, ora competente e bondoso para alguns ora desvairado e maligno para outros.

Busto do imperador Nero. Acervo do Museu Glyptothek, Munique, Alemanha. Fotografia: Marco Prins.

Busto do imperador Nero. Acervo do Museu Glyptothek, Munique, Alemanha. Fotografia: Marco Prins.

Nero ascendeu ao poder após a morte de Cláudio, sendo posteriormente responsabilizado por inúmeros assassinatos, como o da própria mãe e do meio-irmão, Agripina e Britânico, respectivamente. Teve seu governo marcado por uma incessante perseguição aos cristãos, quando os lançava a animais esfaimados que terminavam por trucidar os coitados.

O mais famoso evento atribuído ao imperador Nero é o Grande Incêndio de Roma, ocorrido em 18 de julho de 64, quando a Cidade Eterna teria ardido em chamas por dias. Diz-se que, enquanto Roma pegava fogo, Nero estaria concentrado em suas composições com a lira (instrumento musical de cordas similar à harpa). Todavia, atualmente não se credita a autoria do incêndio a Nero.

Os dias de mando e desmando de Nero encontraram termo final em 9 de junho de 68, após o Senado o declarar inimigo público. Nero, que havia fugido de Roma, acabou por cometer suicídio ao perceber a aproximação de um destacamento romano — ocasião em que teria berrado ao mundo: “Que artista estás perdendo!”.

4. CÔMODO, O “GLADIADOR” (161–192 D.C.)

Conhecido por ter um dos piores governos da história de Roma, diz-se que Cômodo — Lúcio Aurélio Cómodo Antonino — acreditava plenamente em suas fantasias megalomaníacas e simulava combates nas arenas de gladiadores. Assim como Calígula, também acreditava ser o semideus Hércules.

Busto de Cômodo vestido como Hércules. Museus Capitolinos.

Busto de Cômodo vestido como Hércules. Museus Capitolinos.

Nas arenas do pão e circo, Cômodo promovia sangrentos embates no qual sua vitória era assegurada por meio de um simples acordo: em troca da vitória do imperador, os gladiadores tinham suas vidas poupadas e faziam jus a alguma compensação menor.

Ironicamente, a sua morte, fruto de uma conspiração da nobreza, teria vindo pelas mãos de um gladiador chamado Narciso, que o teria estrangulado enquanto se banhava em 31 de dezembro de 192.
Sobre Cômodo, entretanto, há referências indicando tolerância para com os cristãos (o império romano ainda não havia sido cristianizado), assim como assistência aos mais humildes.

5. CARACALA, O “PERTURBADO” (188–217 D.C.)

Vestido como se fosse Alexandre, o Grande, Caracala — Marco Aurélio Antonino — desfilava por onde passava imitando os modos e repetindo palavras do histórico líder macedônio, que figura como o segundo maior conquistador de terras da História. Caracala também exilou a esposa, ordenando mais tarde que ela fosse executada.

Busto de Caracala, reprodução no Museu Pushkin, baseada em original do Museu Arqueológico Nacional de Nápoles.

Busto de Caracala, reprodução no Museu Pushkin, baseada em original do Museu Arqueológico Nacional de Nápoles.

Entre as suas “façanhas”, encontra-se o impensável ato de esfaquear seu próprio pai, o imperador Septímio Severo, diante de suas legiões. Fato este que gerou uma grande desconfiança por parte dos mais poderosos de Roma. Outrossim, desde cedo Caracala teria mostrado um lado desvairado que contribuiu para seu curto reinado.

Ainda, rivalizando o poder com seu irmão, Geta, mandou matá-lo, assim como os seus seguidores e um punhado de outros hipotéticos aliados. Também tentou criar uma fama de guerreiro, mas que apenas lhe trouxe infortúnios, como no conflito contra os alamanos do qual, inicialmente determinado a conquistá-los, acabou derrotado e obrigado a pagar pela proteção das fronteiras do império.

Caracala teria sido assassinado com uma facada pelas costas em 8 de abril de 217 enquanto urinava. Suspeita-se de que guardas pretorianos inconformados com as atitudes do governante teriam dado cabo de sua vida.

6. HELIOGÁBALO, O “TRAVESTI” (203–222 D.C.)

Heliogábalo — Sexto Vário Avito Bassiano — domou as rédeas do poder imperial ainda cedo, aos 14 anos de idade. Seu governo ficou marcado por uma diversificada série de escândalos religiosos e sexuais, tendo estes últimos o afastado da adoração pública. Héliogábalo, nome que teria recebido após sua morte, também esteve envolvido em constantes conflitos com a Guarda Pretoriana, que à época era guarda pessoal do imperador.

Busto de Heliogábalo, nos Museus Capitolinos. Fotografia Giovanni Dall’Orto.

Busto de Heliogábalo, nos Museus Capitolinos. Fotografia Giovanni Dall’Orto.

Heliogábalo é apontado como o protagonista de uma das maiores loucuras atribuídas aos césares romanos, quando, em virtude de sua religião, castrou-se publicamente. O evento teria sido tão bizarro que o povo romano passou a acreditar que seu imperador era, na verdade, um travesti. O imperador também tinha o hábito de nomear rapazes de notória beleza a altos cargos do governo, o que reforçava o imaginário popular.

Os excessos do imperador teriam criado um grande racha na Guarda Pretoriana, que também cada vez mais se distanciava. Em 11 de março de 222, no campo da Guarda Pretoriana, Heliogábalo e sua mãe foram assassinados: tiveram suas cabeças decepadas e os corpos arrastados pela cidade, tendo o cadáver do imperador sido atirado ao rio. Todos os atos administrativos do período de Heliogábalo teriam sido revogados, aliados executados e ainda se tentou banir a memória do imperador da História de Roma.

7. DOMICIANO, O “SANGUINÁRIO” (51–96 D.C.)

O imperador Domiciano — Tito Flávio Domiciano —, assim como Cláudio, obteve grande respeito por seus atos, tendo conseguido grandes êxitos militares. Mas também teve seu governo manchado por surtos de loucura que ainda hoje geram constantes conflitos de veracidade. Ocorre que muitas fontes referenciais encontram origem em historiadores que desprestigiam Domiciano, como Seutônio e Plínio, o Jovem.

Busto de Domiciano como imperador com a coroa cívica. Museu do Louvre, Paris, França.

Busto de Domiciano como imperador com a coroa cívica. Museu do Louvre, Paris, França.

Entre os atos atribuídos a Dominiciano, encontram-se os assassinatos do irmão e do primo. Seu governo teria agido com grande crueldade no trato com rebeliões de qualquer natureza. Roma vivia um período turbulento e, talvez por esse motivo, o imperador se visse envolvido em supostas conspirações pelo poder. Ordenou que inúmeros suspeitos de conspiração fossem executados, sendo o Senado seu alvo mais corriqueiro.

Acreditava ser um deus, como tantos outros césares romanos, e teve suas ações para com os cristãos tidas como contraditórias: inicialmente teria sido bondoso, mas mudado drasticamente de opinião no fim do seu reinado.

Em 18 de setembro de 96 Domiciano foi assassinado, não se sabendo como tudo teria ocorrido. Há várias versões, como a de que seus próprios servos o teriam executado de modo improvisado. Também sofreu tentativa de banimento do seu nome da história romana.

REFERÊNCIAS:
CAWTHORNE, Nigel. Os 100 Maiores Líderes Militares da História. trad. Pedro Libânio. Rio de Janeiro: DIFEL, 2010.
GILBERT, Adrian. Enciclopédia das Guerras: Conflitos Mundiais Através do Tempo. trad. Roger dos Santos. São Paulo: M. Books, 2005.
NAVARRO, Roberto. Quais foram as maiores loucuras dos imperadores romanos?. Acesso em: 27 fev. 2016.
VINCENTINO, Cláudio; DORIGO, Gianpaolo. História Geral e do Brasil. São Paulo: Scipione, 2002.


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