Inês de Castro: a rainha morta

Curiosidades, Idade Média, Personalidades Inês de Castro: a rainha morta
* Por Talita Lopes Cavalcante


Em 7 de janeiro de 1355, Inês de Castro é degolada a mando do rei.

Inês de Castro suplica por sua vida diante dos três asseclas do rei de Portugal. Pintura de Columbano Bordalo Pinheiro (1857-1929), Assassínio de Dona Inês de Castro.

Você sabe de onde surgiu a expressão “agora Inês é morta”?
Essa expressão, largamente utilizada nos dias atuais, significando “agora é tarde demais”, surgiu de uma história real datada do século XIV: a história de Inês de Castro, a rainha morta.

A história de amor entre o príncipe D. Pedro I de Portugal e de Inês de Castro permanece até hoje no imaginário popular dos portugueses. Tudo começou por volta de 1320, com o nascimento do príncipe Pedro, filho do rei Afonso IV. Ainda criança, o príncipe foi prometido a Constança Manuel, descendente de monarcas dos reinos de Aragão, Castela e Leão.

Entretanto, na maturidade, Pedro não almejava o casamento. Ainda que não concordasse com a união, o príncipe fora submetido a tal, consumando sua união com Constança Manuel. Algum tempo depois, o destino de D. Pedro I tomou um rumo que teceria os laços que culminariam na fatídica história da rainha morta.

Após o casamento, D. Pedro I se viu apaixonado por Inês de Castro — dama de companhia de Constança —, jovem de grande beleza, sendo por ela também correspondido. A partir de então, ambos iniciaram um romance nada discreto que não fora bem visto nem pela Corte, nem pelo povo português. O romance adúltero ficava cada vez mais intenso e indiscreto, levando o rei D. Afonso IV a ordenar o exílio de Inês em Albuquerque, Castela.

Após abafar o caso, aparentemente a Corte ficou novamente em paz, até que em 1345, Constança morreu durante um parto. A morte de sua esposa fez com que o príncipe visse a oportunidade de trazer de volta sua amante para Coimbra. Durante o tempo em que estiveram juntos, Inês teve quatro filhos de Pedro I, aumentando ainda mais a insatisfação popular e dos nobres.

O rei também temia que os irmãos de Inês agissem contra o herdeiro legítimo do trono, seu neto d. Fernando — filho de Pedro e Constança — para levar ao poder um dos filhos da amante de seu filho. Convencido por seus conselheiros – Pedro Coelho, Álvaro Gonçalves e Diogo Lopes Pacheco – de que eliminando Inês poderia afastar os riscos políticos existentes, em 1355, D. Afonso ordenou que os três rumassem para Coimbra e a encontrassem.

Inês foi encontrada sozinha nas margens de um rio próximo a sua residência. Ali, os três conselheiros do rei a degolaram e posteriormente enterraram seu corpo às pressas na igreja de Santa Clara. De volta de uma viagem que realizara, D. Pedro ficou ensandecido de dor ao saber da morte de sua amada.

Motivado pela raiva e ódio, o príncipe organizou um exército contra seu pai, que prontamente revidou. O confronto entre ambos só terminou com a intervenção da rainha-mãe, dona Beatriz, que propôs e conseguiu que ambos aderissem a um tratado de paz em agosto daquele mesmo ano. Finalmente dois anos depois, D. Afonso IV morreu, Pedro subiu ao trono de Portugal e seu primeiro ato consistiu em mandar procurar os assassinos de Inês de Castro, refugiados em Castela.

Segundo consta, o novo rei escolheu uma sentença cruel para punir os carrascos de seu amor, mandando que lhes arrancassem o coração. Reza a lenda que Pedro também mandou colocar o corpo desenterrado de Inês no trono para que fosse coroada como rainha. Como se não fosse o bastante, o rei ainda obrigou os nobres presentes a beijarem a mão do cadáver, sob pena de morte caso rejeitassem a ordem.

Este ato simbólico de coroação post-mortem de Inês deu origem à expressão “Agora, Inês é morta”, referindo-se à ideia de “agora é tarde demais”.

Posteriormente, o rei Pedro I mandou esculpir sua história em detalhes no próprio túmulo. Quando ele morreu, em janeiro de 1367, seu corpo foi enterrado próximo de sua eterna amada. Os suntuosos túmulos de pedra branca podem ser visitados no mosteiro de Santa Maria de Alcobaça.

Referência:
– Revista História Viva, “Inês de Castro, a rainha morta“.
– LEWIS, Brenda Ralph. A História Secreta dos Reis e Rainhas da Europa. Editora Europa: 2008.