Karleton Kosmopolitan Klub: a Ku Klux Klan do bem

Primeira Guerra Mundial, Século XX Karleton Kosmopolitan Klub: a Ku Klux Klan do bem
* Por Talita Lopes Cavalcante


Karleton Kosmopolitan Klub

Membros da Karleton Kosmopolitan Klub, clube satírico da Ku Klux Klan. Uma clara crítica à ideia de segregação da sociedade na época, 1923.

Ao final da Guerra Civil Americana (1861-1865_, um dos resultados mais expressivos da rendição dos Estados Confederados do Sul foi o fim da escravidão com a 13ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos. Contudo, nem toda a população sulista aceitou com bons olhos a suposta igualdade entre brancos e negros.

O nascimento da KKK

No mesmo ano em que findou o conflito, nasceu o grupo racista Ku Klux Klan, uma resposta à igualdade racial conferida pela emenda. Criada por soldados confederados, pregava a supremacia branca e a manutenção de uma sociedade segregacionista, onde os afro-americanos não poderiam ter os mesmos direitos civis que cidadãos brancos. O resultado desse ideal racista foi a instauração de um cenário de terror entre as comunidades negras, vez que os membros da organização passaram a linchar e assassinar ex-escravos e seus descendentes. A violência chegou a tal ponto que, em 1871, o governo federal criou a Klu Klux Klan Act, concedendo a permissão para os governos locais intervirem diretamente dentro das reuniões do grupo e prenderem os membros, decretando o fim da primeira formação do grupo segregacionista.

Durante mais de 40 anos, os cidadãos negros puderam viver com uma relativa tranquilidade, sem o temor de serem linchados arbitrariamente. Contudo, em 1915 a paz acabou; uma nova formação surgiu, ainda que sem a força de antes, e que agora também trazia um ideal nacionalista forte, promovendo a xenofobia. Somente após o fim da Primeira Guerra Mundial que a nova KKK adotou um sistema moderno e complexo de administração e iniciação dos membros. A organização mais metódica e criteriosa deu espaço para que o grupo se firmasse novamente no sul dos Estados Unidos.

Naqueles anos, a Klan se aproveitou das tensões sociais e econômicas características dos anos 1920, propiciadas pela Quebra da Bolsa de Nova Iorque. O caos e o medo se espalharam novamente em meio à comunidade afro-americana devido os novos linchamentos, assassinatos brutais e ameaças. Na cidade de Carleton, em Minnesota, a presença da Ku Klux Klan era tão forte que o grupo não se inibia perante as autoridades locais e deixava cruzes em chamas pelo município.

Karleton Kosmopolitan Klub

Um grupo corajoso de estudantes estrangeiros não teve medo de formar um clube satírico, uma clara crítica às ações da xenofóbica e segregacionista Ku Klux Klan, criando o “Karleton Kosmopolitan Klub”, em forma reduzida: K.K.K.. A fotografia traz, então, a formação inicial do grupo em 1923. Nela aparecem pessoas vestindo roupas estereotipadas de forma intencional de russos, gregos, chineses, persas, argentinos e outras nacionalidades. A curiosidade à parte é o membro que representa a África. Como não encontraram um estudante africano para integrar o Karleton Kosmopolitan, um estudante branco se pintou de negro e vestiu roupas supostamente tribais.

Apesar da K.K.K. do bem ser um bastião do pensamento anti-xenofóbico e racista, o grupo não ficou conhecido, vez que a cidade de Carleton não aceitou o fato deles não terem um integrante norte-americano. O grupo existe até hoje, mas não com o mesmo apelo do  pioneiro dos anos de 1920.

Referências:
Foto: Karleton Kosmopolitan Klub, 1923. © Carleton College Archives Photos. Stork, Harvey E.
HATLE, Elizabeth Dorsey. The Ku Klux Klan in Minnesota. The History Press, 2013.
“The Klan at Karleton”