Manuscrito 512: uma das maiores fábulas da arquelogia brasileira

Arqueologia, Brasil, Literatura, Século XVIII Manuscrito 512: uma das maiores fábulas da arquelogia brasileira
* Por Talita Lopes Cavalcante


Manuscrito 512

Imagem do “Manuscrito 512”, documento que consiste em uma das maiores fábulas da arqueologia brasileira e que está guardado na Biblioteca Nacional.

O Manuscrito 512 é um documento consiste num relato de um grupo de bandeirantes ao encontrar uma cidade “perdida” no Brasil, cujo nome e sua localização é desconhecida até hoje. O acesso ao documento original ainda é extremamente restrito, ainda que tenham disponibilizado uma versão digitalizada dele na Biblioteca e durante muito tempo, esse documento, o mais famoso do acervo, ficou esquecido e foi encontrado ao acaso.

O mito do Manuscrito 512

A datação do manuscrito ainda é controversa, embora haja um consenso de que ele tenha sido escrito por volta do século XVIII, devido à determinados elementos, relatos presentes no texto e por sua deterioração. O relato traz a história do encontro dos bandeirantes com ruínas de uma cidade desconhecida em meio à selva brasileira, com estruturas grandiosas e com riquezas, no entanto, seu fim desconhecido. Em seu trecho mais conhecido, os bandeirantes relatam que avistaram uma grande montanha brilhante, que atraiu a atenção do grupo que, diante de tal visão, ficou pasmo e admirado. Os membros da expedição não conseguiram escalá-la, contudo, um dos integrantes do grupo por acaso enquanto caçava encontrou um caminho pavimentado que passava por dentro da montanha.

Após atravessarem-na, avistaram uma grande cidade de estilo desconhecido e completamente abandonada. A entrada da cidade era possível apenas por um caminho, ornado por 3 grandes arcos na entrada em que, o principal e maior, se encontrava ao centro dos outros dois, carregando inscrições em uma letra indecifrável no alto. Segundo o depoimento, a cidade trazia sinais das grandes civilizações antigas, como uma praça central onde erguia-se uma grande coluna negra e, sobre ela, jazia uma estátua apontando para o norte e despida da cintura para cima, com uma coroa de louros na cabeça.

Trecho original do documento:

(…) collumna de pedra preta de grandeza extraordinaria, e sobre ella huma Estatua de homem ordinario, com huma mao na ilharga esquerda, e o braço direito estendido, mostrando com o dedo index ao Polo do Norte; em cada canto da dita Praça está uma Agulha, a imitação das que uzavão os Romanos, mas algumas já maltratados, e partidos como feridas de alguns raios. (…)“.

Na cidade também foi encontrado um objeto curioso, o único mencionado na expedição e descrito minuciosamente, uma grande moeda de ouro, que trazia alguns emblemas entalhados. Em um dos lados, havia um rapaz ajoelhado e, do outro, havia um arco, uma coroa e uma flecha. Infelizmente a identidade dos bandeirantes, bem como a localização da cidade, se perdeu no tempo, contribuindo ainda mais para a criação do “Manuscrito 512” e sua cidade misteriosa.

Referências:
Relação histórica de uma occulta e grande povoação antiquíssima sem moradores, que se descobriu no anno de 1753, nos sertões do Brazil ; copiada de um manuscripto da Bibliotheca Publica do Rio de Janeiro. Em: Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil, Tomo I, 1839, p. 153. Instituto Histórico e Brasileiro Geográfico. IHGB.
Dossiê sobre o Manuscrito 512. Arquivo em formato .PDF. IHGB
Fundação Biblioteca Nacional.