Máscaras históricas

Curiosidades, Idade Moderna, Século XVIII Máscaras históricas
* Por Talita Lopes Cavalcante


As máscaras sempre estiveram presentes na história da humanidade. Algumas representavam forças divinas em rituais, outras eram usadas em batalhas, máscaras também foram usadas para a punição e tortura, enfim, esse artefato sempre teve seu papel ao longo da história humana, tanto para o bem, quanto para atitudes violentas e punitivas.

Exatamente por sua importância, aqui listaremos alguns exemplos interessantes de máscaras históricas e seu uso pelos seres humanos.

1) A máscara de Alexander Peden

Foto: © David Monniaux.

Durante muitos anos o reverendo Alexander Peden precisou fugir do governo escocês. Isso porque, em 1663, após a proibição do presbiterianismo pelo rei Charles II, Peden se recusou a parar de pregar.
De forma clandestina, o presbítero pregava em locais secretos até que fora denunciado. Após as denúncias, Alexander precisou fugir para evitar as punições. Para tanto, pensou em uma ideia aparentemente absurda, mas que deu certo na época.

A ideia consistia em esconder seu rosto atrás de uma máscara de couro, com barba avermelhada, uma peruca, dentes de madeira e penas ao redor dos olhos representando cílios. Surpreendentemente, seus seguidores não se intimidaram com a imagem assustadora e continuaram assistindo as pregações de Peden.

Após 10 anos nessa farsa, o governo escocês encontrou o presbítero, banindo Alexander para o continente americano; futuramente Peden morreu na clandestinidade.

2) A máscara usada em escravos

Foto de autor desconhecido.

Essas máscaras eram conhecidas como “dirty eating masks” (tradução não literal: máscaras anti comida suja). Elas surgiram para impedir que os escravos comessem terra, um costume adquirido em solo africano. Era comum que tribos nativas da África tivessem o costume de comer terra por acreditarem nos poderes nutricionais que ela poderia oferecer e visando evitar a subnutrição. Contudo, no mundo ocidental a prática era vista como suja e potencial causadora de doenças.

Assim, visando evitar a perda de “sua propriedade”, os senhores de escravos colocavam essas máscaras para evitar que os escravos ingerissem a terra. Após a abolição oficial da escravidão, a máscara e seu uso desapareceram.

3) Máscaras da vergonha

Foto: © Hermann Historica.

Elas foram utilizadas pelos romanos e também tiveram utilidade no território que hoje compreende a atual Alemanha. Utilizadas como um forma de castigo durante o século XVII e XVIII, as máscaras da vergonha tinham um caráter punitivo para contravenções sociais e morais, como fofocas, palavrões, atos considerados imorais etc.

A ideia era justamente humilhar quem fosse punido com o seu uso. Exatamente por isso, elas tinham um aspecto de deboche, com algumas contendo orelhas de burro, cara de porco, monstros etc. Tudo isso de acordo com a contravenção cometida. Juntamente com seu uso, o “criminoso” ainda era exposto diante da população que vaiava e lançava tomates podres.

4) Máscaras dos índios Hopi

Foto: © James Mooney. “Katsinas of Hopi Powamu Ceremony”, Walpi Pueblo, Arizona, 1893, Bureau of American Ethnology.

Apesar de muita gente encará-las como assustadoras, as máscaras historicamente estiveram muito presentes nos rituais indígenas dos Hopi. Localizados entre o Arizona e o Colorado, os índios nativos Hopi, contração de Hopituh Shinumu que significa “o povo pacifico”, utilizam as máscaras para representar divindades em um ritual conhecido como Kachina.

Dançando ao redor das casas e da fogueira, os índios mascarados representam um antepassado de espírito bom saudando a tribo e trazendo boas “vibrações”. No total, são mais de 300 entidades, cada um contendo uma máscara representativa, criando um verdadeiro ritual antropologicamente magnífico.

Referências:
-CHISHOLM, Hugh. ” Peden, Alexander “. Encyclopædia Britannica. Cambridge University Press, 1911.
– COVEY, Herbert. “What the Slaves Ate: Recollections of African American Foods and Foodways From the Slaves Narratives“. ABC-CLIO, 2009.
– “Metal Face Mask and Collar Punishments, Trinidad, 1836“. University of Virginia.
Hermann Historica Archiv.