Preto Amaral: o primeiro assassino em série brasileiro

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* Por Talita Lopes Cavalcante


Anos após sua morte, finalmente Preto Amaral foi inocentado de todos os crimes dos quais foi acusado

Preto Amaral, o primeiro “serial killer” brasileiro.

José Augusto do Amaral, o “Preto Amaral”, nasceu no interior de Minas Gerais em 1871, ainda durante a vigência da escravidão. Apesar da Lei do Ventre Livre (1871) dar liberdade a filhos de escravos a partir de sua promulgação, Preto Amaral, filho de pais escravizados oriundos do Moçambique e Congo, apenas viu sua liberdade quando tinha 17 anos, com a assinatura da Lei Áurea. Após ganhar a liberdade, José Augusto ingressou no Exército, uma das poucas ocupações disponíveis aos negros na época.

A partir de então, viajou o país inteiro, chegando à patente de tenente na Guerra dos Canudos. Contudo, Amaral sempre acabava desertando, até que, ao se juntar ao Exército Nacional em Bagé — onde desertou mais uma vez —, foi preso e levado ao conselho de guerra.

Após ter sido condenado a sete meses de prisão no quartel, Amaral nunca mais conseguiu um emprego digno, tendo vivido como andarilho, fazendo pequenos bicos. Finalmente quando tinha 56 anos, em 1927, Amaral trilhou os passos em direção a virar uma lenda e a acabar com sua vida e reputação.

Nesse ano foi preso acusado de estrangular e estuprar três jovens no Campo de Marte (São Paulo); a primeira vítima era um rapaz de 27 anos, a segunda tinha 12 anos e a última 15 anos. Quando os corpos foram encontrados, a polícia de São Paulo se deu conta de que havia um assassino em série solto na cidade.

Só não houve um quarto assassinato, pois a vítima conseguiu fugir e denunciar seu algoz, conhecido pela mídia da época como “Diabo Preto”, “Monstro Negro”, “Estrangulador de crianças” etc. A partir de então, José Augusto ficou conhecido como “Preto Amaral”.

Na prisão foi torturado e confessou todos os crimes. Disse que seduzia prometendo que pagaria por um serviço, depois asfixiava e por fim sodomizava os cadáveres. O psiquiatra que examinou Amaral disse que ele se queixava de ter um órgão sexual muito grande e por isso não conseguia se relacionar com mulheres. A partir desse relato, foi considerado que o órgão sexual masculino grande tinha relação com o “indício de bestialidade”, ligando o tamanho do membro ao tamanho do crime.

Apesar de ter sido preso, os crimes continuaram acontecendo, o que aumentou ainda mais a lenda de Preto Amaral. José Augusto acabou morrendo sem dignidade de tuberculose na prisão, antes mesmo de ser julgado, porém entrou para a História como sendo o primeiro assassino em série brasileiro e manchando por anos seu nome.

Em um julgamento simbólico realizado 85 anos após acusações de crimes que chocaram a cidade de São Paulo, Preto Amaral foi absolvido- foram 257 votos pela absolvição e 57 pela condenação. O Salão Nobre da Faculdade de Direito da USP (Largo São Francisco) foi o palco do Júri Simulado sobre os crimes atribuídos em 1927 a Preto Amaral, nomeado por alguns como o primeiro “serial killer” brasileiro.

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Referência:
– “Preto Amaral. O Primeiro ‘serial killer’ brasileiro“. Folha do Delegado.