A Revolução de 1930

Brasil, Política, Século XX A Revolução de 1930
* Por Talita Lopes Cavalcante


Comitiva rumando ao Rio de Janeiro para tomar posse após a deposição de Júlio Prestes, candidato do governo de Washington Luiz.

Comitiva de Getúlio Vargas (ao centro) durante sua passagem por Itararé (São Paulo) a caminho do Rio de Janeiro após a vitoriosa Revolução de 1930. Foto: Claro Jansson (1877-1954), 1930.

Em 1930, após o candidato do governo de Washington Luiz (1926 — 1930) vencer as eleições em março daquele ano, o líder do movimento armado e candidato da oposição, Getúlio Vargas, torna-se presidente provisório do Brasil. Era a primeira vez que o candidato indicado pelo governo vigente não tomava posse da presidência desde 1889; era o fim da República Velha.

Após a crise mundial que havia sido deflagrada pela quebra da Bolsa de Nova Iorque em 1929, a produção de café brasileira entrou em crise junto. Os cafeicultores vinham há muito insatisfeitos com a política adotada pelo presidente Washington Luiz, após a suspensão do programa de compra do café excedente.

Além do quadro de crise, quase todo o estoque de ouro brasileiro foi sugado após 1929. Com a quebra da bolsa, quem detinha moeda brasileira correu para convertê-la em ouro, já que a moeda era lastreada em ouro. Todo o quadro caótico que se formou em 1929 ajudou na insatisfação política nacional a na perda de base aliada do governo.

A crise de 1929 impactou negativamente na produção cafeeira paulista, levando os cafeicultores a se ressentirem contra o governo de Washington Luiz.

Multidão em Wall Street em 1929, durante a Quebra da Bolsa de Nova Iorque. Foto: Arquivos Social Security.

Finalmente em 1930 ocorreriam as eleições. A cada quatro anos havia um furor nacional pela indicação de um candidato e pela criação de laços e compromissos políticos com o governo vigente. Devido os acordos com os líderes estaduais com o partido do governo, a nomeação de um candidato era equivalente à eleição, uma vez que os controladores da máquina eleitoral nos estados podiam garantir e manipular os resultados para honrar os acordos pré-eleitorais.

A cada eleição, havia uma alternância na presidência entre candidatos paulistas e mineiros, quando Washington Luiz nomeou como candidato Júlio Prestes, outro paulista. Essa nomeação fez a oposição composta por Minas Gerais e Rio Grande do Sul, sob o rótulo de Aliança Liberal, se ressentir e negar o resultado oficial que conferia a vitória para o candidato do governo.

Pouco tempo após o resultado oficial com a vitória de Júlio Prestes, Getúlio Vargas divulgou um manifesto denunciando fraudes e manipulações nas eleições presidenciais. Ainda assim, Antônio Carlos, patriarca político de Minas Gerais, e Borges de Medeiros, patriarca do Rio Grande do Sul, não estavam dispostos a iniciar uma revolta contra o governo.

O cenário mudou quando o antigo candidato a vice-presidente da oposição ao governo federal, João Pessoa, fora assassinado por um membro de um grupo político apoiado por Washington Luiz. Após o episódio, a revolta começou a ser montada sob a liderança de Getúlio Vargas e o plano era marchar para o Rio de Janeiro para depor o presidente e impedir a posse de Júlio Prestes em novembro.

Por fim, quando a situação se tornou insustentável, Washington Luiz abdicou do cargo e, em 3 de novembro, Getúlio Vargas assumiu a presidência provisória do país no episódio que ficou conhecido como Revolução de 1930. O governo de Vargas traria importantes mudanças na política brasileira e marcava o fim da República Velha.

Nos anos que se seguiram, Vargas conseguiu se alinhar com diversos grupos políticos, entre eles, os liberais constitucionalistas com força em São Paulo que, mais para frente, liderariam uma revolta regionalista conhecida como Revolução Constitucionalista de 1932.

Referência:
– SKIDMORE, Thomas E. “Brasil : de Getúlio a Castello (1930-64). São Paulo : Companhia das Letras, 2010.