Tommie Smith e John Carlos protestam durante os Jogos Olímpicos

Esportes, Personalidades, Política, Século XX Tommie Smith e John Carlos protestam durante os Jogos Olímpicos
* Por Italo Magno


Tommie Smith e John Carlos protestam durante os Jogos Olímpicos do México em 1968

Tommie Smith e John Carlos protestam durante os Jogos Olímpicos do México em 1968.

Durante as Olimpíadas do México em 1968, o atleta Thomas “Tommie” Smith venceu a prova dos 200 metros rasos, rompendo pela primeira vez na competição a barreira dos 20 segundos, cravando a marca de 19 segundos e 83 milésimos. Durante a cerimônia de premiação, Thomas e seu compatriota John Carlos, manifestaram apoio ao movimento de direitos civis dos negros americanos, erguendo o punho fechado com luvas pretas, saudação semelhante à utilizada pelo movimento Black Power e pelos Panteras Negras nos Estados Unidos. O ato é considerado como uma das declarações mais abertamente políticas na história dos Jogos Olímpicos modernos.

A repercussão do ato de Tommie Smith na luta pelos direitos civis americanos

Os dois atletas namericanos receberam suas medalhas vestidos apenas com meias pretas para representar a pobreza negra. Em sua autobiografia, Silent Gesture, Smith afirmou que o gesto não era uma saudação “Black Power“, mas sim uma saudação em prol dos Direitos Humanos (todos os medalhistas, incluindo australiano medalhista de prata Peter Norman usavam crachás dos Direitos Humanos em suas jaquetas). A vida de Smith e Carlos foram extremamente afetadas após o ato. Segundo Smith, o gesto foi uma condenação para o resto de sua vida. Ao retornaram para os Estados Unidos, suas medalhas foram confiscadas pelo governo. A esposa de Carlos cometeu suicídio e Smith se divorciou. Tanto o Comitê Olímpico Americano quanto o COI jamais se manifestaram sobre as hostilidades sofridas pelos atletas.

“Tudo mudou para sempre. Recebemos ameaças de morte, cartas, telefonemas… Depois dos Jogos Olímpicos, todos os meus amigos desapareceram. Tinham medo de perder suas amizades brancas e seus empregos. Eu tinha 11 recordes mundiais, mais do que qualquer pessoa no mundo, e o único trabalho que encontrei foi lavando carros num estacionamento. Me mandaram embora porque meu chefe disse que não queria que ninguém trabalhasse comigo. Não queria que alguém que defendesse a igualdade de direitos estivesse em sua equipe. Todo mundo tinha muito medo. Meus irmãos foram expulsos do colégio.”- (Silent Gesture: The Autobiography of Tommie Smith)