Os vinhos mais antigos do mundo

Arqueologia, Curiosidades, Idade Moderna Os vinhos mais antigos do mundo
* Por Talita Lopes Cavalcante


Imagem ilustrativa. Foto: Mercury Press.

Muitas vezes, um artefato histórico pode ter o poder de levantar uma série de indagações, como por quem ele fora feito, qual sua finalidade, qual o material utilizado para a sua confecção etc.

Além dessas questões que os objetos históricos levantam sobre o passado e sua origem, eles ainda possuem o poder de fazer a mente humana viajar; é incrível imaginar estar em posse de algo tão antigo, que sobreviveu ao tempo para contar a história da sociedade de sua época.

Todas essas questões e sentimentos alcançam um patamar ainda mais elevado quando a peça histórica em questão se trata de uma bebida, mais ainda, uma verdadeira capsula do tempo que ainda se conserva boa o suficiente para ser consumida. É descobrir e vivenciar na prática os costumes de outrora.

Exatamente por serem tão fascinantes, abaixo estão alguns dos vinhos mais antigos que sobreviveram ao tempo, alguns ainda próprios para o consumo.

  • O vinho romano: envelhecido 1650 anos.
    Com mais de 1600 anos de idade, a garrafa romana é uma das mais antigas de vinho do mundo a sobreviver com o líquido intacto em seu interior. Foto: Immanuel Giel, 2005.

    Com mais de 1600 anos de idade, a garrafa romana é uma das mais antigas de vinho do mundo a sobreviver com o líquido intacto em seu interior. Foto: Immanuel Giel, 2005.

Exposta desde o século XIX no Museu Histórico do Palatinado, a garrafa de vinho romano de 1650 anos de idade foi encontrada em um túmulo perto de Speyer, Alemanha. Após sua descoberta em 1867, a garrafa ficou exposta por mais de 100 anos e seu conteúdo permanece intocado, da mesma forma como fora deixado há mais de 1600 anos.

Atualmente, o museu estuda a possibilidade de finalmente abrir a garrafa e testar o líquido em seu interior, porém uma das preocupações é com as possíveis reações que podem acontecer ao conteúdo quando este estiver em contato com o ar externo à garrafa. Outro perigo é de que, após todos esses anos, o vinho possa ter se tornado venenoso.

Ludger Tekampe — diretor responsável pelo departamento que cuida do vinho — afirmou, entretanto, que em seus 25 anos de museu o vinho não mostrou, aparentemente, nenhuma alteração em seu conteúdo. Alguns cientistas afirmam que provavelmente o vinho não é venenoso, porém o gosto pode ser desagradável devido à ação do tempo e pelo fato do azeite ser utilizado para a preservação do conteúdo contra a oxidação naquela época.

  • Rüdesheimer Apostelwein, datado de 1652 e 1727, Bremen, Alemanha.

Na cidade de Bremen existe uma adega conhecida como “Schatzkammer”, em Português seria “adega tesouraria”. Dona de tonéis de vinhos que datam do século XVII e XVIII, o vinho mais antigo é datado de 1652-3, porém ele não é mais potável para ser consumido. Entretanto, um dos tonéis guarda um vinho de 1727 que pode ser bebido.

Periodicamente, pequenas quantidades desse tonel são retiradas, engarrafas e entregues a grandes personalidades da cidade de Bremen. Para manter o velho vinho e o barril se “atualizando”, regularmente o tonel é preenchido com pequenas doses de vinho mais recente da mesma marca e com melhor qualidade. Dessa forma, o conteúdo antigo consegue “processar” o açúcar do líquido novo, mantendo assim o sabor daquele produzido em 1727.

  • Tokaji: o vinho húngaro de 1680.

De origem húngara, as vinhas que produziriam o Tokaji eram tratadas como um ativo valioso no país. O Tokaji Aszú, patrimônio húngaro, foi um dos primeiros vinhos doces bem sucedidos, além de ter sido um dos mais procurados e consumidos pela realeza e nobreza russa e polonesa; outras personalidades famosas também apreciaram o vinho, como Thomas Jefferson.

Após a Primeira Guerra Mundial, muitas vinhas foram destruídas, prejudicando a produção do Tokaji. Ao final da guerra, entretanto, uma carga valiosa de vinhos centenários foi encontrada e entre eles estava um Tokaji de 1680, exemplar mais antigo.

  • Massandra Sherry de la Frontera, de 1775.

Massandra Sherry é um dos vinhos mais caros atualmente. Em 2001, uma das garrafas chegou a custar mais de 40 mil dólares. Isso porque, o vinho faz parte da coleção de Massandra Winery, detentor de impressionantes um milhão de garrafas de vinhos europeus com selos imperiais.

O mais velho da coleção era justamente o Sherry de la Frontera, datado de 1775. Batizado com o nome da cidade espanhola de Jeres de la Frontera, o vinho é justamente um exemplar único, pois além de sua idade, atualmente ele é o único restante da confecção secreta produzida pelos espanhóis da época.

  • Chateau Lafite Rothschild: da coleção de Thomas Jefferson para o leilão.

Vendida em 1985 por mais de 600 mil reais (valores atuais) para Malcolm Forbes, a garrafa do ano de 1787, além de ser uma capsula do tempo, também pertenceu à coleção de vinhos de Thomas Jefferson, terceiro presidente dos Estados Unidos e autor da declaração da independência do país.

Referências:
– HALL, Allan. “Shall we crack open the 350AD vintage? Historians debate whether to open ‘world’s oldest bottle of wine’“. Daily Mail, 2011.
– “12 Of The World’s Most Expensive Bottles Of Wine“. Huffington Post, 2011.